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A polêmica Telemedicina: Quem está preocupado com a experiência do paciente ?

Desde a publicação da Resolução do CFM Nº 2.227/18, lançada no último dia 06 de fevereiro no D.O.U, parece que o assunto no Brasil inteiro é só esse. Vi diversas manifestações nas Redes Sociais sobre o assunto, uns a favor, outros contra, e até a Revista Veja se manifestou a respeito, aliás, com uma reportagem que mereceu a capa da revista da edição 2621, de 13 de fevereiro de 2019.

            

A reportagem da Revista Veja faz um resgate aos preceitos de Hipócrates em relação à "verdadeira medicina", basicamente sugerindo que a principal premissa da relação "médico x paciente" (que é o atendimento presencial, o contato físico e o relacionamento do médico com o paciente) estaria sendo perdida ao se instituir a Telemedicina.

            

Ora, com todo respeito à opinião alheia, a premissa de Hipócrates especialmente no que tange ao relacionamento médico x paciente, já foi perdida faz tempo. Consultas que duram em média 10 minutos, sendo necessário entender os sintomas, eventualmente questionar, sugerir mentalmente um diagnóstico (porque raramente o paciente sai da consulta sabendo "o que ele tem"), solicitar exames e redigir a prescrição médica, me parece que não "sobra" muito tempo para o relacionamento. Ou estou equivocada?

            

A Resolução nº 2.227/18 do CFM, veio fazer para a medicina o mesmo que o UBER fez com os taxistas e o mesmo que o Booking fez com os Hotéis e Pousadas: colocar o CLIENTE na centralidade e na razão de ser das prestações de serviços. Já estava na hora de acontecer algo grandioso para tirar todos nós da zona de conforto.

            Graças ao UBER, hoje os passageiros são tratados com educação e respeito, não são explorados por trajetos desnecessários e, ainda por cima, são mimados com balinhas, guloseimas, água e até outras gentilezas que os motoristas conveniados oferecem. E o que isto causou? Revolta para os taxistas, num primeiro momento, mas também um alerta: ou oferecem o mesmo atendimento que a "concorrência", ou em poucos anos estarão fora do mercado.

            O mesmo exemplo serve para o Booking. Graças a esta tecnologia, é possível consultar a avaliação de outros hóspedes antes de fazer a reserva, o que evita muitas surpresas desagradáveis. Está baseado na contribuição de clientes que já se hospedaram nos Hotéis e Pousadas conveniados, que colaboram dando sua avaliação sobre o serviço, estrutura, localização e até sobre o café da manhã. E o que isto causou? Uma melhora significativa no atendimento e serviços de hotéis e pousadas do mundo todo, colocando o CLIENTE como o "rei do pedaço".

          

Ainda temos tempo para escolher a maneira que desejamos nos posicionar: seremos os motoristas conveniados do UBER ou os taxistas revoltados? Enxergaremos a tecnologia como uma grande aliada ou a trataremos como uma ameaça e vamos ignorar que ela existe? Independente do "lado" que escolhemos, uma coisa é certa: Ou a experiência do paciente se torna a centralidade das nossas ações e o nosso principal interesse, ou vamos todos desaparecer do mercado.

 

Faço votos de que esta Resolução seja um marco para uma mudança drástica na saúde do Brasil. Que de fato esta facilidade de acesso às tecnologias traga o benefício de colocar o CLIENTE/PACIENTE na centralidade do atendimento/serviços prestados. Quem sabe num futuro não muito distante, possamos ter acesso ao nosso diagnóstico na palma da mão, e por sua vez, o médico possa acompanhar o desfecho clínico de seus pacientes remotamente. No dia em que o relacionamento entre médico e paciente transcender os 10 minutos da consulta, neste dia sim estaremos falando da verdadeira relação proposta por Hipócrates.

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