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O papel da liderança na Gestão em Saúde

Um texto de Ana Giovanoni para a revista Visão Hospitalar – Janeiro 2018

O Brasil passa por um momento de transformação em que empreendedores e executivos se questionam sobre o futuro das organizações, as novas profissões que surgirão nos próximos 10 anos muitas das quais ainda nem conhecemos e as habilidades que os líderes terão que desenvolver para gerenciar pessoas, processos e garantir a sustentabilidade dos negócios. Por outro lado, exercer a liderança exige dedicação, qualificação e autodesenvolvimento contínuo. De acordo com estudos do instituto Gallup dos EUA, o desagregamento causado por maus gerentes custam perdas aos negócios de mais de U$ 450 bilhões por ano. O estudo da Carrier Builder demonstra que 25% dos gerentes não estavam preparados para liderar pessoas quando foi posicionado como gestor e 58% afirma não ter recebido nenhum tipo de treinamento para exercer esta função.

Em tempos difíceis, com cenários cada dia mais competitivos, com exigências cada vez maiores dos órgãos fiscalizadores e a crescente demanda dos clientes por melhores produtos e serviços, administrar os negócios é uma tarefa difícil. Atividade de gestão exige preparo dos profissionais, perfil adequado à cultura organizacional, equilíbrio emocional e muita resiliência para gerar resultados sustentáveis para a empresa.
Nesse contexto, quero provocar uma reflexão sobre o papel da liderança na Gestão dos Serviços de Saúde. Gerenciar um Hospital, uma Clínica, um Laboratório, um Serviço de Diagnóstico por Imagem ou outro serviço de saúde é Cuidar da Vida. Portanto, o compromisso é muito maior que em qualquer outro segmento de negócio. Imaginem um erro, ou pequena falha no processo, a qual poderá impactar numa sequela grave ao cliente ou até na perda da vida.

Minha experiência há mais de 17 anos com consultoria em Desenvolvimento Organizacional, Estratégia, Acreditação e Certificação da Qualidade tem confirmado a importância da liderança no sucesso dos negócios. Vivenciamos exemplos relevantes de equipes que foram mobilizadas, incentivadas e incrementaram seus índices de produtividade por conta do estilo do seu líder. Também presenciamos o contrário, resultados muito ruins por conta do perfil do gestor. Uma gestão colaborativa, que estimula a inovação, valoriza a participação das pessoas, gerencia sua performance por meio de indicadores e metas e utiliza padrões de trabalho conhecidos e cumpridos por todos é gerenciada por líderes autênticos e transformadores. Os líderes autênticos exibem paixão por seus objetivos, vivem segundo seus valores e lideram com o coração, alinhado a propósitos muito fortes que consideram as necessidades e o compromisso com as partes interessadas e o crescimento do negócio. São profissionais que atuam junto com suas equipes, chamando para si os mesmos desafios e enfrentando as mesmas dificuldades dos seus colaboradores. Um líder transformador mobiliza as pessoas em torno de valores, princípios e objetivos da organização, explorando as potencialidades culturais. É alguém que incentiva as pessoas a transpor dificuldades profissionais, ensinando-os a trabalhar cada vez melhor. Isto ativa a produtividade, melhora o desempenho do negócio e deixa as pessoas mais felizes por alcançarem novos patamares de aprendizado.

Nos processos de certificação da qualidade, é fundamental que as lideranças estejam engajadas no modelo escolhido e tenham internalizado a importância do desenvolvimento desta cultura na equipe, por meio do seu exemplo. Nos projetos de consultoria em Acreditação de Operadoras de Planos de Saúde (RN nº 277) e Acreditação de Prestadores de Serviços de Saúde (ONA, SGGS, ISO 9001:2015 e outras) que tenho acompanhado, percebo, claramente, a evolução e a velocidade dos projetos, quando o compromisso permeia desde a alta direção até os cargos de coordenação e supervisão. Outro fator que impulsiona as organizações de saúde para a implementação de projetos de Acreditação são as 4 tendências mundiais que pressionam o crescimento secular dos gastos com saúde, publicadas por André Medici, economista sênior de saúde no Banco Mundial de Washington (DC): o envelhecimento da população; o crescimento da renda que eleva os padrões de exigência da população; as pressões para reduzir os custos e melhorar a qualidade dos serviços de saúde; e o progresso tecnológico. Todos estes aspectos estão associados ao desenvolvimento de uma boa gestão do serviço que só é possível com lideranças engajadas e qualificadas para o desenvolvimento de equipes produtivas e alinhadas aos propósitos do negócio num ambiente organizacional propício à criatividade, à inovação e à educação continuada. Uma das maiores preocupações da população brasileira é o acesso à saúde de qualidade. Instituições de saúde, públicas ou privadas, têm acesso aos mecanismos de implantação dos processos de Acreditação e não fazem por que não possuem líderes que creem neste instrumento metodológico como a forma mais adequada para alcançar satisfação dos clientes e demais stakeholders, bem como gerenciar custos para promoção de resultados positivos nesse segmento.

Não há uma fórmula mágica para o líder ideal. O que precisa ser cultivado pelos líderes é o seu autoconhecimento e sua capacidade de se experienciar e desenvolver novas práticas ou refinar as práticas de gestão existentes, para, a partir do seu “eu equilibrado”, contribuir com sua equipe para alcançar novos patamares de conhecimento, aprendizado e resultados. O líder autêntico e transformador faz toda a diferença no processo de implantação dos sistemas de acreditação e qualidade nas organizações. Estou convicta que é preciso CRER na gestão colaborativa, na padronização, no potencial das pessoas e na melhoria contínua dos processos para perseguir cada dia a excelência na gestão. Se você é daqueles que dizem: Quero VER para CRER, desista de implementar qualquer programa de Certificação ou Acreditação dos Serviços de Saúde. A qualificação só é possível quando você ACREDITA! Portanto é CRER para VER os resultados!!!

Disponível em: Revista Visão Hospitalar, páginas 79 e 80

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